Inclusão digital da classe C se dá de forma clandestina

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29032010

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Inclusão digital da classe C se dá de forma clandestina




Documentos oficiais mostram que existem hoje no país 180 mil lan houses, que atendem 31 milhões de pessoas, a imensa maioria delas pobres. Ou seja, a inclusão digital no Brasil é informal e, na prática, clandestina.

Mas mesmo com os preços de computadores em queda e o valor cobrado pela conexão individual custando em média R$ 80,00, o acesso à internet ainda é um sonho para milhões de brasileiros das classes C, D e E. Nos bairros da periferia, onde o poder da população é baixo, as lan houses têm sido a melhor alternativa para quem precisa se conectar à web 2.0. “A gente mapeou 350 lan houses na periferia de Natal”, conta Rafael Maurício da Costa, que é diretor administrativo e representante no Norte e Nordeste da Associação Brasileira dos Centros de Inclusão Digital (Abcid).


Isabel Oliveira, de 14 anos, administra uma lan house, diz que os jovens usam a internet para fazer pesquisa e trabalhos escolares

Por conta de uma legislação cada vez mais restritiva e pela falta de uma regulamentação para o setor, Rafael da Costa conta que mais de 90% das lan houses trabalham na informalidade.

Rafael da Costa disse que uma comissão especial já foi criada na Câmara dos Deputados. Para funcionar, as lan houses precisam de Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), inscrição municipal, alvará municipal e estadual, além da autorização do juizado. Dados do setor mostram que 81% das lan houses são totalmente informais, 13% têm apenas o CNPJ, 3% possuem alvará da prefeitura e CNPJ e somente 1% conta com todos os documentos exigidos.

Segundo Costa, esse é um dos motivos que geram dificuldades para o setor e é uma das razões para as lan houses se manterem na informalidade.

Em Natal, disse Costa, também influiu na redução do número de lan houses, que chegou a ser de mais de 400 na periferia, uma lei municipal que proíbe a sua instalação a menos de 500 metros de escolas, que aí engloba diversos tipos de cursos e ensinos, e não apenas o ensino regular e formal.

Para funcionar, as lan houses precisam de Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), inscrição municipal, alvará municipal e estadual, além da autorização do juizado. Dados do setor mostram que 81% das lan houses são totalmente informais, 13% têm apenas o CNPJ, 3% possuem alvará da prefeitura e CNPJ e somente 1% conta com todos os documentos exigidos.

Apesar da queda dos preços dos computadores e da expansão dos pontos públicos de acesso à rede, essas conexões ainda estão distantes de muita gente. Mas em todo lugar tem uma lan house. E onde tem uma lan house, tem pelo menos uma pessoa que entende de internet para auxiliar quem não tem intimidade com o computador.

É essa combinação de equipamento disponível a baixo custo - a hora custa entre R$ 0,50 e R$ 5 - com “instrutores” de plantão que faz com que as lan houses cumpram esse papel de disseminar o acesso à rede, tornando-se o segundo lugar de onde mais se navega, atrás apenas do domicílio. Segundo o IBGE, 21,9% dos internautas usavam lan houses em 2005. Em 2008, último dado disponível, o percentual tinha subido para 35,2%.

Cruzeta tem projeto de inclusão premiado

Uma lan house pode ir além de um ambiente criado exclusivamente para as pessoas terem acesso à internet e aos serviços que ela propicia. Pois foi pensando assim, que o bacharel em Turismo Willamy Galvão da Silva, 21 anos, desenvolveu ações que facilitassem o acesso dos frequentadores de um telecentro público em Cruzeta, na região do Seridó, a benefícios culturais e sociais no município, como palestras sobre Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis (DST), drogas, alcoolismo e violência dentro da escola.

Willamy Galvão disse que também criou uma gincana para arrecadar brinquedos e alimentos para famílias carentes de Cruzeta. “A gente também precisa pensar no próximo, num mundo em que cada vez mais só se pensa no crescimento individualizado”, diz ele, cuja experiência no Telecentro foi inscrita no Prêmio Conexão Cultura, promovido pela TV Cultura de São Paulo, para onde ele viaja quarta-feira, 31, para assistir a entrega da premiação.

Galvão é voluntário da Escola de Inclusão Digital e Cidadania de Cruzeira, criada a partir de uma parceira feita entre a prefeitura e a Emater. Ele começou como estagiário e tem um contrato de dois anos para gerir o curso básico de informática para turmas de 25 alunos.

Foi com esse pessoal que ele realizou palestras, as quais resultaram na inscrição para o Prêmio, que é uma iniciativa da Fundação Padre Anchieta e pretende reconhecer ações de telecentros e lan hoses que vão além das funções cotidianas.

“Ao longo das nossas vidas, acabamos deparando com o que, muitas vezes, achamos que ainda não existe”, foi como Galvão justificou, inicialmente, a inscrição do seu projeto, que vai concorrer na categoria “Melhor Prática de Gestão Pública”, com outros dois finalistas, um do Ceará e outro de Minas Gerais.

Ele contou para a FPA que teve interesse pela informática “muito cedo”, e que morava numa região onde anos atrás era difícil adquirir um computador, devido o seu alto custo. Quando tinha 13 anos, sua mãe resolveu inscrevê-lo num curso de informática: “Como não tinha computador em casa, apesar de ter feito o curso, perdi a prática, só anos depois que voltei a praticar, quebrar, descobrir e consertar, e sou apaixonado por informática”, dizia ele.

No pedido de inscrição para o Prêmio Conexão Cultura, Galvão informava que o seu trabalho no telecentro começara em abril de 2009, quando foi escolhido numa seleção para exercer o cargo de monitor da Escola de Inclusão Digital e Cidadania da cidade. “A partir de uma capacitação, pude começar a exercer o cargo, e de lecionar na própria escola como voluntário, foi quando recebi uma aluna com faixa etária de 45 anos que nunca tinha tido contato com um computador, e ali, começava pra mim, um desafio”.

Segundo ele, o curso se destacou por não ter registrado nenhuma desistência nos seis meses de duração. “Exercer o cargo de monitor não é apenas chegar e fazer com que o aluno “aprenda”, é muito mais do que isso. É ser amigo, é ser responsável, é ser paciente”.

Para ele, é gratificante saber que hoje contribuo “para uma sociedade melhor, uma sociedade mais digna, que sabe os seus direitos e os seus deveres”.

Lan houses possibilitam inclusão digital dos pobres

Para situar a importância da lan house para as classes “C” e principalmente “D” e “E”, Rafael Maurício da Costa diz que a região Norte/Nordeste é aonde mais se acessa a rede mundial de computadores por meio de telecentros. “Nós respondemos por 70% do acessos”, diz ele.

Outro fato levado em conta é que o PNAD 2008, a chamada Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio do IBGE, mostrou que 82% das pessoas que ganham até um salário mínimo só acessam a internet em lan houses.

A questão das lan houses foi tema de um workshop nacional realizado ontem em Natal, “tal a sua importância para as pessoas que não têm como acessar a internet de casa, onde por um PC passam quatro pessoas, enquanto no telecentro podem passar 400 pessoas”, disse Rafael Maurício .

Durante o evento foi feito uma espécie de “batismo” para as pessoas, que não conhecem a internet. Elas puderam ver e conhecer os serviços que podem obter por meio da internet, além do fato de se comunicarem com as pessoas ou familiares que estão distante, através do MSN, e-mails e redes sociais, como o Orkut, que é a mais acessada no Brasil.

Costa também contesta o preconceito contra as lan houses, tidas como locais onde as pessoas acessam sites pornôs. Segundo ele, a Internet Security tem um estudo, no qual informa que 8% dos acessos a sites pornográficos ocorrem nas lan houses, a maioria disse ocorre em casa ou em outros locais.

Nas lan houses, segundo ele, existem recursos e gerenciadores, que bloqueiam o uso de sites desses tipos, assim como existem programas que cadastram os usuários das lan houses.

Já a Abcid diz que 14,5% dos incidentes de insegurança e crimes pela internet no Brasil ocorrem em lan houses, apesar de que esses estabelecimentos tenham 48% dos acessos no país.

Costa disse que essas casas investem em segurança sempre, porque senão acabam perdendo a sua clientela ou ficam com suas máquinas parando por muito tempo.

Segundo pesquisa do Comitê Gestor da Internet, 72% dos usuários da internet têm até 24 ano, sendo que 68% dos usuários da lan house usam internet para enviar e receber e-mail, enquanto 66% são das classes “C”, “D” e “E”.

Internet é um livro aberto, diz jovem

Numa rápida passagem em Felipe Camarão e Cidade Nova, a TRIBUNA DO NORTE constatou o quanto é importante as lan houses para as pessoas que residem na periferia de Natal. Em duas lan houses, estavam à mostra em cada uma delas, uma fila de dez a quinze computadores de mesa.

Na rua Professor Antônio Trigueira, 615, e em volta do quarteirão, em Felipe Camarão, funcionam pelo menos três lan houses, segundo Jacira Gomes, dona do prédio onde foi instalada a maior delas.

“Aqui, se tiver pornografia o dono manda tirar, ele é crente”, avisa logo a proprietária do prédio. A lan house funciona de segunda a domingo, das 8 às 22 horas, e o cliente pode pagar R$ 0,25 pelo acesso mínimo de dez minutos. A cada hora, que custa R$ 1,50, o usuário tem mais dez minutos de bônus grátis.

Com todas essas vantagens, a lan house tem três funcionários que se revezam nos três turnos, inclusive o estagiário Felipe Lemos, um adolescente, que diz ser o Orkut o site mais acessado, principalmente pelos jovens. Ele informa que a loja oferece outros serviços como scanner, fotos digitais, banners e digitação.

Ramilton de Souto Cunha tem um computador em casa, mas quando está na rua sempre se utiliza de uma lan house, como na tarde de quinta-feira, dia 18, quando foi visitar a namorada em Felipe Camarão. “Não ia voltar para casa, então passei para falar e trocar mensagem pelo MSN com a minha família, que mora em João Pessoa (PB).

Ailton Melo passara por uma lan house em Cidade Nova. Como vendedor de massas e biscoitos em supermercados da periferia, disse que não tem como estar em casa toda hora. Então, quando passa com uma compra para a empresa em que trabalha, sempre mandam um e-mail, com o boleto de pagamento, que ele retira em qualquer lan house por onde passa. “Não preciso voltar para casa”.

Isabel Oliveira, 14 anos, toma conta de uma lan house da mãe, quando não está na escola, em Cidade Nova. Segundo ela, a maioria dos frequentadores são os estudantes, que trocam mensagerns, baixam músicas e clips, mas tem também pequenos empresários, que usam a lan house, por exemplo, para darem entrada em documentos no Detran.

“A internet é um livro aberto”, diz Isabel Oliveira, para adiantar que os jovens também fazem pesquisas e trabalhos escolares e qualquer conteúdo pornográfico é automaticamente bloqueado pelo sistema gerenciador do computador que monitora os passos dos usuários.

Fonte: Tribuna do Norte

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